Imagens Alteradas
Sei que em breve
minha biblioteca se transformará
para você
numa montanha de entulho
Lixo e excremento
mijo amarelado
com bolinhas azuis
sobre embalagens vazias de miojo
Ao lado da foto
da minha árvore genealógica
sobre a tampa branca do fogão
toda suja de gordura
Chega de groselha...
Não estou mais conseguindo
penetrar facilmente na essência das coisas
O vento sopra para longe
a meu favor
mas o vempo parece conspirar me
sob pena de parecer
haver perdido a razão
Estou gasgando meu tempo
prendendo a respiração
inspirando o éter
parando dentro do coração
perfurado de balas
Com o Duque no Bobs
comendo sanduíches de ouro
Indo e vindo ao invés do veterinário
três vezes por semana
duas vezes ao dia
Conversando sobre mistérios
com fantasmas sem rosto
Atirando pedras em caminhões de lixo
estacionados ao lado de postes
de iluminação pública
junto aos chafarizes
na Rua da Consolação
Porque sei que ainda te amo
mas nunca mais voltarei pra você
Porque você cortou as amígdalas
E de fato nunca existiu (comigo)
Nunca compartilhou sentimentos
Nenhum afeto
Assim, não serei morrer antes
Prefiro seminais ser eu mesmo
Viver de costas pelas ruas com as moscas
Como um Buda doente e desligado
Enfeitado de transeuntes errantes
procurando a borboleta amarela
A ter que vomitar novamente
o doce veneno
que saía do céu da sua boca preta
cheia de dentes e chiclete
Cheia de gente
e afazeres domésticos fictícios
Cheia de mistérios....
Palavras indigestas
Sistema nervoso.
