Estou perdendo energia
Passando em frente à porta
Retornando agora à sua realidade
mórbida e quente
Do outro lado da calçada
As pessoas correm
Cumprimentam-se rapidamente
Sem se tocar, sem olhar nos olhos
Como se não houvesse mais tempo
Como se o mundo fosse acabar
a qualquer momento
Todos têm pressa
Tudo é urgente agora
Fim das horas
Meninas magras, cabisbaixas
me pedindo moedas
chupando sorvetes
Meninas magras, cabisbaixas
me pedindo moedas
chupando sorvetes
refletidas nas vitrines
à entrada da livraria
Vendendo rosas
na porta da igrejas
à entrada da livraria
Vendendo rosas
na porta da igrejas
Muitas vezes me pergunto
O que haveria além deste tempo?
O que seria o contrário do tempo?
O anti-tempo?
Tenho a estranha sensação de que essas mentes
estão ligadas apenas a um poderoso banco de dados
Infinitas informações
Que as transportam por infinitos caminhos
A lugar nenhum
Ao mesmo lugar
Outras vezes me perguntei
O que haveria além deste chão?
O que seria o contrário do espaço?
O anti-espaço?
Parece-me que essas mentes
carecem de algum driver
algum parafuso
uma mola
alguma substância química
uma sofisticação, uma configuração
que as conecte diretamente
aos seus próprios sentimentos
É como se vivessem em curto-circuito
correndo como o vento pelas ruas da cidade
Enquanto eu, apenas escrevo
Mordendo o travesseiro
Enquanto eu encho com as mãos
minha mochila de lágrimas
minha mochila de lágrimas
Como se a minha realidade fosse um sonho
E a delas apenas mentira...
